Campainhas 2011
8 Bienal do Mercosul / Casa M

As noções de público e esfera pública são caras ao trabalho de Vitor Cesar. Muitas vezes apresentados em espaços não artísticos, seus projetos quase sempre envolvem uma estratégia de comunicação com o outro e uma problematização do contexto em que se inserem – ou dos discursos que alimentam o imaginário sobre determinado lugar. Cartazes, painéis e letreiros são alguns dos dispositivos utilizados pelo artista em propostas que se confundem com práticas e elementos da vida comum. É o caso da ação em que o artista disponibilizou um serviço de xerox que realizava cópias gratuitas de materiais com a palavra «público», do cartaz distribuído por Fortaleza com a inscrição «permitido», seguindo o mesmo padrão visual de placas de trânsito, ou ainda da inscrição «artista é público» disposta em letras de alumínio no saguão de um centro cultural. Quem são os públicos da arte? Quais as relações entre artista e público? É possível constituir uma esfera pública por meio da arte? Discussões como essas permeiam os trabalhos de Vitor Cesar e parecem ganhar força na medida em que o contato com suas obras se dá sem a intermediação institucional da arte, isto é, sem que se saiba, necessariamente, que se tratam de projetos artísticos. É o que acontece no projeto criado para a Casa M, em que o artista desenvolve uma campainha para o local. Ao ser acionada, ela dispara diferentes toques ao longo da morada, dando as boas vindas a quem chega e evocando a diversidade de públicos do lugar. Entre a sinfonia e a dissonância, o trabalho celebra a possibilidade do encontro, sem nivelar diferenças nem eliminar ruídos, sem apaziguar divergências nem desconsiderar especificidades.

Fernanda Albuquerque

http://www.vitorcesar.org/files/gimgs/57_foto-site-campainha.jpg